• Miguel Duque Camacho

Rótulos que valem zero

Atualizado: Jun 18

Infelizmente a sociedade já sucumbiu à política de rótulos. E muitos já nem conseguem entender que eles próprios são os limitadores de si mesmos.

Vivemos numa sociedade atual em que o marketing tornou-se a principal ferramenta para garantir venda de produtos e para o crescimento das empresas.

Um rótulo bem concebido num determinado produto, pode levar um consumidor final a optar pela compra do produto com melhor visual, ao invés do produto com mais qualidade.


As pessoas são pré-rotuladas pelos comportamentos, atitudes, aparência, escolaridade e até por currículos profissionais, quando todos nós sabemos que há sempre uma ponta de exagero e mentira na maior parte deles.

A mim não me preocupam as vendas nem o marketing exaustivo que as empresas lançam no mercado publicitário, mas preocupa-me o facto de estarmos vivendo tempos atuais que mais do que nunca, rotulamos as pessoas, como se de produtos se tratassem.

Hoje as pessoas são pré-rotuladas pelos comportamentos, atitudes, aparência, escolaridade e até por currículos profissionais, quando todos nós sabemos que há sempre uma ponta de exagero e mentira na maior parte deles.


Infelizmente a sociedade sucumbiu à política de rótulos. E por essa razão, muitos já nem conseguem entender que eles próprios são os limitadores de si mesmos.


Rótulos na adolescência que se refletem na vida adulta


Dou o meu exemplo pessoal.

Na minha adolescência e inicio da minha juventude, também me deixei levar pelos rótulos que a sociedade me impingia.

Por ter perdido o meu pai aos 14 anos, passei a carregar o rótulo de “família carenciada”, pois a minha mãe era doméstica e trabalhava apenas umas horas.

Esse rótulo limitou a minha progressão estudantil e profissional, e aos 15 anos, as notas caíram a pique e desisti de lutar por uma carreira na área da saúde porque faltavam recursos, e por achar que uma carreira universitária era um rótulo apenas para famílias estruturadas e com poder económico.


E de quem foi a culpa?

Minha ou de quem me impingiu o rótulo de "família carenciada"?


O politicamente correto que se instalou nos nossos dias, incute-nos que a culpa é sempre dos outros, que se não conseguimos algo é por causa do sistema, da nossa raça, do status social ou das circunstâncias.

Porém aprendi na minha atual carreira profissional e espiritual que nós somos os únicos que podemos limitar os nossos sonhos.


Se Aquele que criou-nos tem coisas enormes para nós, que nem olho viu, nem ouvido ouviu nem desceu ao coração de nenhum homem, quem somos nós para nos acharmos no direito de desistir e sucumbir aos rótulos que a sociedade nos coloca?


Rótulos que mais me incomoda


"...fui dar sangue, e ao preencher a ficha tive que colocar as minhas habilitações literárias"

Um dos rótulos que mais me incomoda é o rótulo das habilitações literárias.


Um dia fui inscrever-me como dador de sangue, e ao preencher a ficha tive que colocar a minha escolaridade.


Eu, porque adoro o ser humano e deliciar-me com as suas reações, coloquei:


Escolaridade: 3º ano do 1º ciclo.


A secretária arregalou os olhos, como quem pergunta:

"Mas você tem esta profissão e só tem o 3º ano?"


Eu, me rindo, disse a ela com muito amor e brincando:

“Não quero que ninguém que só tem o 3º ano fique sem um dador compatível.”


Brinquei, mas infelizmente vivemos tempos em que alguém que "tem escola" é rotulado de uma maneira, e quem tem "menos escola" é rotulado de uma outra maneira.


Eu não entendo o porquê do rótulo da escolaridade na nossa sociedade!


Uma das coisas que penso sempre é que na Ilha onde nasci e vivo, conheci mulheres que criaram 10/15 filhos e nem escreverem o seu nome sabiam; no entanto não há ninguém com escolaridade nenhuma que possa ensinar essas pessoas de como amar e criar 15 crianças da mesma maneira.

Conheci homens que não tinham mais que o 4º ano, e que abriram negócios e empresas de sucesso, que sustentavam esses mesmos 10/15 filhos e ainda davam emprego a muitos outros agregados familiares.


O rótulo das habilitações vale para se candidatar a trabalhos específicos, mas não devia valer para nos rotular como pessoas.


Jabez, um homem que venceu o rótulo do seu passado


O pior dos rótulos no entanto é o do passado.

Esse rótulo leva pessoas a carregarem fardos pesados, e que até hoje não conseguiram desenvencilhar-se.


A Bíblia, o livro mais infungível escrito, conta a história de um homem chamado Jabez no livro de I Crônicas 4:9-10.

O nome “Jabez” foi um rótulo que a sua mãe lhe pôs à nascença e que significa literalmente “Dores de parto”.


Com tanto nome bonito que aquela mãe podia dar aquela criança, decidiu rotulá-lo com este nome traumático, que a relembrava do seu sofrimento no parto!

Por ignorância ou maldade daquela mãe, aquele rótulo tornou-se um jugo pesado sobre a vida de Jabez.


Mas ao invés dele culpar a mãe, ou a Deus, ou às circunstâncias, ele decidiu derrubar esse rótulo e pedir a Deus que:

“Se me abençoares muitíssimo, e meus termos ampliares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja afligido…”


Ele entendeu que o rótulo e o jugo do passado que estava sobre ele não tinha que determinar o seu futuro.


Você que está lendo este artigo, deve de entender que os rótulos e os jugos de um passado infeliz e traumático ou de marginalidade não deve limitar quem você poderá vir a ser no futuro.


Hoje tome a mesma decisão de vencer o seu passado, se crê em Deus, faça a mesma oração que Jabez e trabalhe arduamente como ele o fez até alcançar tudo o que pretendia.


A história de Jabez termina com:

“E Deus lhe concedeu tudo o que lhe tinha pedido.”


A sua história também pode terminar da mesma forma.


Pois rótulos colocados no ser humano, valem zero.




Miguel Duque Camacho




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