• Miguel Duque Camacho

Pais injustos criam sociedades injustas

A justiça não deve ser praticada apenas quando somos os lesados, mas também quando somos os réus.


Uma das mais maravilhosas histórias da humanidade está na Bíblia, no livro de Genesis.

Ler acerca da criação de todas coisas é algo fantástico, porém a criação que mais me impacta é a do ser humano.

A relação entre Deus, Adão e Eva é algo quase indescritível.

Deus relacionava-se com eles como um pai para os seus filhos.

Deus, como bom pai deu conselhos, mostrou o que era certo e o que era errado.

Nós sabemos o que aconteceu; Adão e Eva escolheram o que era errado, mas o mais grave não foi eles escolherem o errado, mas sim não assumir a decisão que lhes levou ao erro.

O homem culpou a mulher; a mulher culpou a serpente; e a serpente assumiu a responsabilidade, até porque conseguiu o que queria.

Todos nós sabemos qual foi a consequência; tiveram que deixar o jardim do Éden.


Muitos olham para esta situação como uma injustiça de Deus, mas eu vejo a situação como consequência do livre arbítrio que existe em cada um de nós.

Deus foi justo, pois advertiu, aconselhou e deu todas as condições para que eles não decidissem errado, porém além de errarem ainda deitaram as culpas um no outro.


Esta história ajuda-nos a entender a justiça parental que vivemos hoje e a que deveria existir.


Não sei se a boa educação de pais dedicados é suficiente para que os filhos tomem boas decisões, essencialmente quando eles estão em grupos de má influência, porém a boa educação com um bom sentido de justiça, influenciará a que tenhamos no futuro mais alegrias do que desilusões.


Não significa que as pessoas deixarão errar, porque todos nós falhamos sem excepção. A humanidade é assim mesmo.


Eu já errei, e muito, como qualquer ser humano, mas foi na minha infância e adolescência que aprendi o que é justiça.

Além de boa educação, recebi da minha mãe a consciência da consequência dos meus actos, e isso fez-me ser uma pessoa que raramente criou problemas e que sabia o seu limite.


A minha mãe amava-me, mas tinha um sentido apurado de justiça.

Esse é o problema que temos na nossa sociedade, não entendemos que podemos amar e ser justos não importa o que isso custe.

Porque amar também é corrigir, disciplinar e ser justo.


A minha mãe, tinha um amor incondicional por mim, que até depois de eu sair de casa e casar ofereceu-se para engomar e lavar a minha roupa se eu quisesse.

Porém ela nunca confundiu amor com justiça.


Ela tinha sempre trunfos na manga caso eu saísse fora dos padrões de educação dela.

O discurso dela era:

- “Se eu souber que vocês roubaram, eu serei a primeira a denunciar-vos à policia”

- “Se vocês forem detidos pela polícia, nem me liguem, por mim vocês ficam lá para sempre”

- “Não me dêem desgostos, pois mesmo depois de crescidos e grandes e ainda levam”


Se ela fazia “bluff” não sei, mas que resultou, resultou!


Hoje em dia vivemos tempos que muitos pais acham que têm os melhores filhos do mundo e surpreendem-se quando sabem de algumas coisas más, chegando ao ponto de entrar em negação, mesmo sabendo de provas concretas.


Um pai deve assumir o seu papel de defender o seu filho, mas também deve ensinar-lhe o caminho da justiça e fazê-lo pagar pelas suas consequências.


“Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!” Provérbios 22:6

Tenho um conhecido, que o filho dele na primária fez “bullying” contra uma criança que estava careca, porque ela estava atravessando um problema oncológico.

Ele foi chamado à escola, e quando soube do sucedido, a primeira coisa que fez ao chegar a casa foi explicar ao filho que o que ele tinha feito estava errado.

Depois agarrou a maquina de cortar cabelo e calmamente passou no cabelo do filho e mandou-o para escola no outro dia.


Eu ao contar este relato, não estou a dizer que a consequência que este pai deu é certa ou errada.

Nem estou a dizer que é isto que se deve fazer.

Você estando no papel deste pai, nunca faria algo deste género.

Mas diga sinceramente, se você fosse o pai da outra criança com problema oncológico o que faria à criança que fez “bullying” ao seu filho?

Não cortava só o cabelo, mas cortava a cabeça também da outra criança e ainda dava umas bofetadas nos pais.

É verdade ou mentira?


Precisamos entender que a justiça deve ser praticada não importam as pessoas.

Uma pessoa justa é justa em todo o tempo independentemente de quem esteja do outro lado; seja família, amigos ou desconhecidos.


Eu, apesar do meu sentido de justiça, não faria isso como pai, mas o iria corrigir severamente.


Não seja exagerado nos procedimentos, mas não deixe também o seu filho imune à consequência dos seus erros.

Caso contrário isso lhe dará muitas dores de cabeça no futuro.


Há poucos dias atrás, numa ilha turística do Arquipélago onde vivo, uns rapazes adolescentes encontravam-se de férias e espalharam actos de vandalismo, gravando e publicando nas redes sociais.

Segundo um jornal regional, um deles é filho de uma grande personalidade do Arquipélago.


Ao contrário do que muitos afirmaram, partilharam e acusaram nas redes sociais, não sei se os pais têm culpa do que os filhos fizeram, mas de uma coisa tenho a certeza, aos pais compete ensinar aos filhos a consequência dos seus atos.

Numa situação destas, não sei se os pais podiam ter feito alguma coisa, porém têm a oportunidade de corrigirem e não os deixarem impunes.


Precisamos de entender como pais, que a escola dos nossos filhos, por melhor e mais cara que seja, apenas dará educação académica.

Educação cívica e de carácter somos nós como pais que temos que dar.


Para ter um mundo melhor no amanhã, além de ter cuidados ecológicos, tenha o cuidado de ser uma pessoa justa.

E garanto que isso lhe trará muitas alegrias no futuro.


Uma sociedade melhor teremos de certeza.



@Miguelduquecamacho


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