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  • Miguel Duque Camacho

Diário de um Covid(eiro)

A pandemia só se torna verdadeiramente real, quando o telefone toca com um número desconhecido da nossa agenda telefónica, informando que o teste à covid está positivo.

A expectativa é provavelmente o sentimento que mais dissabores e desilusões traz na nossa vida.

Todos riem, fazem piada, até ao dia que o telefone toca ou chega uma SMS comprovando a infeção.


Tenho encontrado pessoas, que tratam a Covid como os outros males que existem no mundo, ou seja, nunca chegará nada a eles.

Não sei o que eles acham que têm de diferente dos outros para pensarem isso.

De repente, parece que tornaram-se mais importantes do qualquer outro ser humano.


Tenho encontrado pessoas dessas, que infelizmente, depois quando testam positivo, ficam espantadas, para não dizer em choque e à beira da depressão.

Porém caro leitor, quero dizer-lhe que o Sol nasce para todos e a noite chega para todos. Essa é a verdade incontornável da vida.


No momento em que escrevo este artigo, estou em isolamento por estar com Covid.

Em relação ao que se viu no inicio da pandemia, nomeadamente em Wuhan e na Itália, sou um privilegiado, porque "apenas" tenho dores de cabeça constantes, sinto um sabor distante dos alimentos e perdi o olfacto; não consigo sentir o cheiro de nada.


Será que um “viruszeco” que não faz mal a ninguém como muitos dizem, é mesmo capaz de tirar o olfacto de alguém?

Já tive gripe várias vezes mas nunca perdi nenhum dos meus sentidos.

Ontem, fui despejar o lixo, e dei comigo com a cabeça dentro do balde do lixo a ver se a falta de olfacto não era da minha cabeça.

Ainda bem que não estava nenhum vizinho espreitando (espero eu), senão em vez de ligar à linha da Covid, iam ligar à linha da ajuda psiquiátrica.


Existe um ditado que diz: “Só damos valor a algo, quando a perdemos”

E que verdade!

A verdade, é que a minha filha tem cocó na fralda e não consigo sentir o cheiro.

Descasco uma laranja, e não consigo cheirar a laranja.

A minha mulher fez um bolo no forno, que encheu como sempre a casa com o seu delicioso cheiro, e eu nem me dei conta que ela tinha feito um bolo.

As coisas que achamos insignificantes no dia-a-dia, quando nos são vetadas, nos deixam abismados.


Sabe qual é o problema do ser humano?

É medir as experiências dos demais, segundo a sua própria experiência.


A Covid, é sem dúvida o assunto que mais idiotas desenterrou e que mais insensibilidade promoveu nas pessoas.

Tenho que dizer que esta pandemia fez-me sentir profundamente desiludido com o extremo que o ser humano é capaz de atingir.

E não digo isto porque acho-me perfeito, porque estou longe de o ser também.


Por isso, caro leitor…


Já teve covid-19 sem sintomas?

Parabéns! Mas respeite aqueles que têm sofrido com os sintomas, e que até suporte de vida tiveram que ter.


Nunca teve covid?

Cale-se! Pois ao não falar do que não sabe, fará um grande favor ao mundo.


Teve Covid com sequelas ou está a passar pela Covid?

Mantenha a calma… Irá correr tudo bem…

Tenha fé que recuperará o que perdeu, quer seja em termos de saúde, quer seja material!

Um Grande abraço e respeite e ajude o seu próximo.


Miguel Duque Camacho

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